Tia Rogéria, sobre amar a leitura.




Bairro de Fátima. Caixa D’água.

Nasci nesse bairro e sempre vivi aqui. Aqui pude crescer livremente brincando de piques, amarelinhas, caracóis, pular corda e outras brincadeiras que todas as crianças têm direitos a ter. Aqui no morro, não tínhamos medo de nada: nem de saci, lobisomem, mula sem cabeça, bruxas… pois nas mais maravilhosas histórias que meu avô e meu pai contavam, esses personagens existiam e, a cada dia surgia um personagem novo para enriquecer as histórias mirabolantes em minha mente!

Imaginei desde a infância viagens lindíssimas desde as dunas do deserto do Saara, às longínquas terras da África e as praias mais lindas que pudessem ir a minha imaginação... Claro que alcancei todos esses sonhos por meio dos livros!!! Por meio das histórias contadas pelo meu avô e pelas leituras realizadas pelo meu pai!!!

Com meu pai, aos cinco anos eu já conhecia o abecedário e construía frases que ele ensinava e ditava para mim. Com ele, aprendi a ler em um livro grosso “As mais belas histórias” de Gaston Courtois, assim como a literatura de cordel com as histórias de Pedro Malazarte até as fábulas como da tartaruga e a lebre... Os livros mostrados por meu pai e meu avô continham histórias lindíssimas e eu podia sonhar!!! Sonhar alto até onde minha imaginação pudesse ir!!! Era demais!

A leitura tem um grande significado em minha vida: se estava triste, pegava um livro ou escrevia um poema. Se alegre, também escrevia para depois ler! Minha adolescência foi permeada por fotonovelas que me levava a sonhar com príncipes encantados dos contos de fadas misturados aos homens lindos como Alan Dellon e Jhon Waynne dos filmes em tvs preto e branco que assistia escondido dos meus pais na casa dos vizinhos!... Esses homens da tv eram todos tão lindos!!!

Com o passar dos anos, deixava de arrumar a casa para ler uma revista!!! Sempre escondido de minha mãe, pois senão ela rasgava! As leituras feitas à noite, quando ela ia dormir, eram com a lamparina acesa e, no outro dia, as narinas estavam todas escurecidas por causa do querosene que fazia a lamparina permanecer acesa!!! Se tivesse que reviver isso, faria tudo de novo!
Valeu a pena cada leitura realizada, cada conto, fábula, história, texto, jornal, revista lidos em minha vida!!!

Amo a leitura! Adoro ver crianças lendo e construindo saberes por meio da leitura! Adoro ver cada livro que meus filhos e netos leem!

Tia Rogéria

Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa: contos de fada para pensar sobre o papel da mulher

Sinopse: Vilã ou heroína? Bruxa, princesa, camponesa, conselheira ou madrasta? Ou todas elas? Nos contos de fadas, as personagens femininas costumam ser entregues em casamento a quem mal conhecem, sofrem muito, não têm direito a dar opinião nem a escolher o seu futuro. E tudo isso só porque nasceram mulheres.
"Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa" nos faz refletir sobre essas questões e também nos mostra como os homens podem ser aliados no processo de mudanças. São histórias que divertem, emocionam e ainda nos fazem ver que há muito a ser feito para que as mulheres também sejam donas dos próprios finais felizes.



     Com uma capa completamente autoexplicativa, Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é uma coletânea de contos de fadas para pensar sobre o papel da mulher.


          Antes de falar sobre o livro em si, devo dizer que o escolhi [em parceria com a Editora Biruta], pois, me APAIXONEI perdidamente pelo trabalho da autora Helena Gomes no livro As Aventuras de Sargento Verde [leia a resenha clicando aqui] e fiquei me mordendo de vontade de conhecer mais alguns de seus títulos.


          Em Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa não temos apenas histórias de garotas badass e duronas, mas, sim, de garotas e mulheres simples, que conseguem superar as vicissitudes da vida e transformar, de alguma maneira, a vida de quem as rodeia.


          Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é fascinante! As autoras escreveram de maneira tão rica e inteligente os personagens que você se vê completamente envolvido nas tramas de TODOS os contos. Todos são maravilhosos, não teve um fraquinho [o que geralmente encontro em coletâneas de contos].


Completamente envolvente e capaz de levantar várias discussões com os pequenos, Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa já ganhou lugar de destaque aqui em meu Espaço de Leitura e, assim como Sargento Verde, é cheio de personagens poderosas e pensantes, que nos fazem sentir muito orgulho do universo feminino.


O livro possui oito contos, todos completamente viciantes [sério, eu DEVOREI o livro], cada um com suas características próprias, que nos apresentam personagens de diversas nuances. Mas, creio que o meu favorito é A Princesa Rã. Nele, o filho mais novo de um rei, a fim de protestar contra as decisões e desejos de seu pai, se casa com uma rã, mas, para sua surpresa, esse animal era na verdade uma fada fugitiva que estava se escondendo de um feiticeiro terrível. Durante todo o casamento dos dois a rã, pouco a pouco, vai conquistando o afeto e o carinho de seu marido, tornando-se amigos e ajudando-o nas mais diversas tarefas [todas lançadas pelo rei e pelas cunhadas]. Durante a leitura do conto vamos vendo um companheirismo sendo desenvolvido e aflorado por entre os dois, de maneira doce e leve. Ao final fiquei com um sorriso no rosto, pois, me cativei completamente por aquela rãzinha e por seu jeito sagaz de lidar com as intempéries propostas por suas concunhadas. De maneira poética e extremamente sensível, a meu ver, o conto pode se tratar de uma representação do amor, não aquele imposto, forçado ou exigido, mas, o amor puro e verdadeiro, onde a cumplicidade se faz presente e a liberdade reina.


Este livro deveria fazer parte do acervo de toda biblioteca, espaço de leitura e afins, pois, ele é ESSENCIAL. Aborda e questiona, de maneira séria e, ao mesmo tempo, divertida, questões que permeiam os padrões [pré]estabelecidos em nossa sociedade. Mesmo tratando-se de um título “infanto-juvenil”, Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é capaz de alcançar leitores de todas as idades, tendo em vista o tema trabalhado e as diversas discussões e debates que a leitura [com certeza] proporcionará.


*Livro recebido em parceria com a Editora Biruta 


Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa

Autor: Helena Gomes & Geni Souza
Número de páginas: 132 páginas
Editora: Biruta 
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Resenha: Os Condenados 💀

         
      Sinopse: Danny Orchard conseguiu enganar a morte e ganhou uma segunda chance para viver. Só que ele não voltou do inferno sozinho. Em Os Condenados, Andrew Pyper, autor do fenômeno O Demonologista, explora as conexões de amor e ódio entre irmãos gêmeos, numa história sobrenatural digna de pesadelos.


“O medo clássico tem um novo nome. Andrew Pyper.” 
[Stephen King]

💀

         Vamos dar uma “pausa” nos livros infantis para falar sobre esta DELÍCIA das trevas?


            Percebi que nos últimos meses estava lendo apenas literatura infantil e infanto/juvenil e, por sorte, a fim de retomar para o lado negro da força, encontrei uma promoção maravilhosa da DarkSide Books [aquela editora esplêndida que possui as edições mais caprichadas e incríveis que se possa imaginar {sim, sou babão para com livros em capa dura e design de primeira!}]. Portanto, hoje falarei aqui sobre o VICIANTE: Os Condenados.


            Em Os Condenados somos apresentados a Danny Orchand que há vinte anos passou por uma experiência de quase morte [sobrevivendo a um incêndio], ganhando uma segunda chance para viver. Porém, sua irmã gêmea, Ash, não conseguiu ter o mesmo destino: acabou falecendo durante o incêndio.


            Após esta experiência, Danny tornou-se escritor, conseguindo transformar sua tragédia e experiência num livro que acabou virando um grande sucesso.


            Sua irmã Ash não era uma pessoa boa. Sei que é errado limitar as características entre “bem e mal”, porém, nesse caso, percebe-se que, a todo o momento e a cada verso descrevendo as atitudes e comportamentos de Ash, nota-se que ela era de fato uma pessoa ruim, capaz de cometer atrocidades apenas para se divertir e sentir prazer. Uma espécie de sociopata/dissimulada [que eu, particularmente, adoro!].


            Ash, mesmo depois de morta, permanece a mesma criatura egoísta e sádica que era em vida, porém, agora num nível ainda mais atemorizante, pois, ela está morta! E segue infernizando a vida de Danny que, entre muitas idas e vindas, consegue aos poucos estabilizar sua vida, encontrando uma mulher que ama e desenvolvendo uma família.


            A meu ver o mais incrível de Os Condenados é a maneira com que Andrew Pyper consegue nos “nortear” na história dos gêmeos Orchard. Durante a leitura vamos conhecendo cada vez mais sobre as relações familiares dos Orchard’s  como as desgraças chegaram a família desde o primeiro momento em que os gêmeos nasceram.


            Não quero me aprofundar e ater muito aos detalhes da trama para não estragar a leitura de quem ainda não conhece a obra, mas, para quem curte um bom suspense, daqueles que te prendem desde o primeiro momento, Os Condenados é mais do que indicado!



“Éramos gêmeos fraternos, ainda que você não necessariamente percebesse isso de imediato. [...] Se você nos tivesse conhecido naquela época, chegaria à conclusão de que a vida havia, visivelmente, preferido um de nós em detrimento do outro. No entanto, quando a morte caiu sobre nós, escolheu ela, não eu, mantendo-a em seu domínio e atirando-me de volta para um mundo que, sem a presença da minha irmã, eu mal conseguiria reconhecer.”
[Página 23]


            Danny e Ash, apesar de gêmeos, eram o completo oposto um do outro. Ash, aos olhos dos outros, era perfeita: dona de uma presença desconcertante, ótima aluna, popular, capaz de inebriar os pensamentos de todos com que convivia… porém, era “o mal na forma de gente”. Sua maldade e dissimulação tinham como principal alvo Danny, seu irmão gêmeo.


            Outro fato interessante de Os Condenados é que o autor não se “esquece” dos outros personagens [como acontece em muitas obras], pelo contrário, ele nos mostra o reflexo das atitudes de Ash em seus pais que, pouco a pouco, vão definhando fazendo, assim, com que a família sucumba.


            Assim como em O Demonologista (leia-o também! Apesar de o final não ser dos melhores, o livro em si é uma ótima leitura!), aqui em Os Condenados Andrew Pyper conseguiu novamente escrever um livro arrebatador, que te fará DEVORAR as páginas a fim de descobrir o desfecho de Danny e sua assombração gêmea.


Os Condenados segue a linha de edições impecáveis da DarkSide Books. Em capa dura, o design segue a mesma linha de O Demonologista, porém ao invés do vermelho, temos aqui o preto e dourado. Todos os livros da DarkSide são um deleite visual, daqueles que você pega e admira por vários e vários minutos, sentindo um prazer extremo ao manuseá-los e, também, contemplando-os na estante depois da leitura.



💀

Os Condenados

Autor: Andrew Pyper
Capa dura
Número de páginas: 336 páginas
Editora: DarkSide 
Compre na Amazon clicando aqui

Resenha: Um outro país para Azzi


Sinopse: Azzi e seus pais correm perigo. E por isso precisam fugir às pressas, deixando para trás sua casa, seus parentes, seus amigos, suas profissões e sua cultura. Ao embarcarem rumo a um país desconhecido, levam, além da pouca bagagem, a esperança de uma vida mais segura. Azzi terá de enfrentar a saudade que sente da avó e muitos desafios: aprender outra língua, acompanhar a preocupação dos pais, adaptar-se à nova casa e cidade, frequentar a nova escola e fazer novas amizades.



Um outro país para Azzi foi uma grata surpresa enviada pela minha parceira Editora Pulo do Gato ❤ Seguindo a “tradição” das últimas semanas, o tema central do livro casa direitinho com as últimas obras que tenho lido, fugindo daquela usual “água com açúcar” que muitas editoras propõem para os pequenos.


Na obra, toda representada por meio de quadrinhos [belissimamente ilustrados e coloridos, dialogando diretamente com os textos], conhecemos Azzi uma menina que vive com sua família num país que está em guerra [uma boa sacada da autora foi não delimitar exatamente qual o país em que Azzi e sua família viviam, fazendo, assim, com que o leitor divague em sua própria imaginação e perceba que mudanças e adaptações são dinâmicas que ocorrem na vida de TODOS, independentes de onde vivem e como vivem]. Por conta dos perigos da guerra,  a família de Azzi é obrigada a se mudar, deixando a vovó para trás, e este é o ponto de partido da história.


Acompanhamos todo o processo de adaptação de Azzi e seus familiares no novo país em que chegam. A dificuldade em entender a língua, a diferença cultural e a ausência da vovó permeiam essa nova realidade vivida pela menina que, pouco a pouco, vai se adaptando a nova realidade, transformando-se e crescendo enquanto ser humano.


A história é bela, completamente ATUAL e muito envolvente. Já li o livro três vezes, uma vez sozinho, quando chegou, uma vez com as crianças aqui no Espaço de Leitura e mais uma vez agora antes de resenhá-lo. É incrível como você se pega refletindo internamente sobre a atualidade durante a leitura e sobre como as pessoas conseguem sobreVIVER em ambientes assim.


Um outro país para Azzi é um livro que trata sobre a tenacidade do ser humano. Sua habilidade de sobreviver às vicissitudes da vida e a persistência perante os obstáculos que se sobrepõem em sua caminhada pessoal.


 Aqui no Espaço de Leitura o livro foi muito bem recebido [vale ressaltar que a edição é lindíssima, o livro é em capa dura e belamente ilustrado]. Uma criança, ao pegar o livro nas mãos e folheá-lo, disse que “com certeza esse aqui deve tratar sobre exílio e refugiados”, fiquei maravilhado quando ele falou isso, pois, nós ainda não havíamos sequer iniciado a leitura. Após a leitura tivemos um longo debate sobre as diferentes realidade existentes ao redor do globo terrestre, a gratidão que devemos sentir para com nossa própria realidade que, apesar de estar longe do ideal, é muito mais “aceitável” que aquelas vivenciadas pelos países em guerra e, também, sobre como o ser humano é capaz de se adaptar e reinventar e sobreviver a tudo e qualquer coisa negativa que encontra pelo caminho.


Como já disse em outras resenhas, em minha opinião, uma boa obra literária é aquela que instiga, mexe com os sentimentos e te faz pensar. Um outro país para Azzi é uma obra assim, capaz de levantar discussões e reflexões internas e externas, pessoais e coletivas. Vale MUITO a pena a leitura!


  • Ganhador do Little Rebels Children's Book Award 2013
  • Aprovado pela Anistia Internacional




*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato.


Um outro país para Azzi

Autor: Sarah Garland
Capa dura
Número de páginas: 36 páginas
Editora: Pulo do Gato 
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Para justificar nosso amor ❤

Foto: @moniqueguastti

Confabulando - Espaço de Leitura

   No Bairro de Fátima, comunidade em que vivemos desde a infância, notamos que não há uma grande comunidade de leitores e sentimos que havia a necessidade de criarmos algo que suprimisse as necessidades culturais de nossos pares. Portanto, decidimos abrir as portas de nossa casa e criar o Confabulando – Espaço de Leitura com a missão de fomentar nas pessoas a paixão pelo universo das palavras, estimulando o gosto pela leitura e semeando afeto.


   Nossa intenção é de propagar ações culturais que realizarão mudanças positivas na vida das pessoas tendo como principal fundamento a afetividade. Para que essas mudanças possam ocorrer de fato, realizamos mediação de leitura em nossas dependências, empréstimos de livros, contação de histórias e apresentação de dança e movimento, bem como, representações teatrais e algumas oficinas.


   Nossa meta é expandir o alcance de nosso trabalho, aumentando nosso acervo e oferta diversificada para toda a comunidade e, também, todo o município. Buscamos o estabelecimento de parcerias com empresas e pessoas que compartilhem de nossos valores, que são: amor, equidade, fraternidade, liberdade e responsabilidade social.


   Esperamos encontrar mais pessoas engajadas e a fim de realizar mudanças por meio da leitura e da cultura.


   Queremos iniciar uma Revolução do Amor.



   Você está conosco?


*Estamos com uma campanha de Financiamento Coletivo, colabore conosco! ACESSE: https://goo.gl/wQkbNR

Resenha: Um dia, um rio ❤



[...]


Recebi Um dia, um rio há certo tempo, mas, não estava conseguindo encontrar palavras para vir descrevê-lo e “explicá-lo” de maneira que fizesse jus à sua perfeição.


Sim.


Este é um livro perfeito.


[..]


A única palavra que me vem à cabeça para dissertar sobre esta espetacular obra de Leo Cunha e André Neves é: BREATHTAKING. Um dia, um rio é de tirar o fôlego, capaz de mexer com o emocional do leitor de maneira sublime, poética e lírica.


“Acredito que o papel deste livro, antes de mais nada, é encantar o leitor pela arte da palavra e da imagem. É o maior papel da literatura infantil. Além disso, esse livro vai tratar de forma poética e delicada um tema pesado e importante da nossa época: a valorização da natureza, dos rios, das praças, das comunidades, do convívio social, das brincadeiras  infantis, todos postos em risco pela ganância das grandes empresas que não fazem o mínimo para nos proteger”, explica o autor Leo Cunha.


O livro traz a história da tragédia que assolou a Bacia do Rio Doce no ano de 2015. No livro o rio é retratado na forma de uma criança simples e inocente que, sem esperar, encontra-se diante de uma máquina gigantesca e assombrosa que a inunda com lama e lixo, desestabilizando sua vida e virando do avesso sua realidade.



“Eu era melodia... Hoje sou silêncio”
[minha passagem favorita do livro. Quando o li pela primeira vez arrepiei ao ler estas palavras e observar as ilustrações]




Uma lamúria… Uma lamentação… Um dia, um rio é um grito de socorro. Grito este que sai de dentro da garganta de um rio que, sem poder se defender, acabou sendo invadido e impregnado pela destruição humana.


“Meu leito virou lama,
Meu peito, chumbo e cromo.
Minhas margens, tristeza.
[...]
Com lágrimas de minério, vou sangrando até o mar.”


É impossível não se emocionar. Especialmente por ser algo tão recente, tão “fresco na memória”, uma tragédia de magnitude nunca vista antes em toda a história. Um terror que assombra os subconscientes de todos.


Um dia, um rio não é apenas um livro infantil.

É poesia.

É arte.

É lamento.

É amor.

*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato


Um dia, um rio

Autor: Léo Cunha
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Pulo do Gato 
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Encantamento



Mais uma manhã de sol. Os gritos ecoavam enquanto do chão subia uma fina camada de poeira que cobria todo o pátio. A profusão de diferentes formas e tamanhos se fazia notar, conforme as crianças passavam correndo.


          De repente, algo me chamou a atenção. Não eram gritos, nem alguém que havia caído…


          No canto do pátio, encostados no muro, lá estavam eles, contrastando com aquilo que ocorria à sua volta, parados, em silêncio, apenas ouvindo a sinfonia desenfreada que o pátio tomava.


          Resolvi me aproximar, assim como quem não quer nada.


          De mansinho.


          Com calma.


          Meus amores – disse eu – Por que não estão brincando?


        Ah, tio! – um respondeu – eles correm e empurram e a gente sempre se machuca.


          Pensei, pensei e remoí em meu interior: o que fazer para que aquelas crianças que ali estavam pudessem aproveitar o recreio tanto quanto os outros que a poeira do chão levantavam?


          Resolvi, então, uma história em quadrinhos em minha bolsa pegar. Sentamos debaixo da árvore para a história escutar.


          Em nosso primeiro dia de leitura éramos apenas quatro. Os três e eu, imersos numa realidade paralela, bem diferente daquela que nos cercava.


          Os dias foram passando.


          As leituras continuaram.


          Curiosas, as outras crianças se aproximavam.


          Pouco a pouco fomos aumento de número.


        Hoje, veja só, temos até nome! Somos o Clube da Leitura, que se reúne durante os recreios para o mundo das palavras explorar.



      Já presenciamos invasões alienígenas, sobrevivemos a um apocalipse zumbi, salvamos o Planeta Terra de diversos vilões e, devo confessar, a cada nova aventura, não deixamos de nos encantar.