Capítulo 8 - Tempestade Interior § As Crônicas Irregulares

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Capítulo VIII - A inevitabilidade dos fatos

Após domar o descontrole, Dita Negri ficou absorta em seus pensamentos, acompanhada do Senhor Nestor que, apesar de calado, estava com a mente funcionando a mil por hora a fim de buscar uma solução para o sumiço do garoto Lucas.


Os dois estavam tão compenetrados em suas investigações interiores e o silêncio estava tão opressor naquele momento que, se chegasse alguém ali, pensaria que a casa estava abandonada.


Num ímpeto inexplicável, Dita levantou abruptamente da cadeira, fazendo com que a mesa se deslocasse e Senhor Nestor se sobressaltasse de susto.


— O que foi minha filha?


Sem emitir nenhum som e movida por um sentimento desconhecida, Dita Negri aproximava-se cada vez mais da geladeira.


Pôs as duas mãos sobre a porta do freezer e fechou os olhos.


Sentia uma energia estranha vindo dali. Algo a atraiu e ela não sabia externar em palavras o que estava sentindo mas sabia que, de alguma maneira, aquilo estava relacionado ao desaparecimento de seu filho.


Senhor Nestor levantou-se cautelosamente de sua cadeira e aproximou-se aos poucos de sua funcionária.


—Dita querida, me diga, o que está fazendo? Vamos sentar e tentar buscar alguma solução para reencontrarmos Lucas. Talvez tenha algo simples que não pensamos ainda por conta do nervosismo. Venha…


Mas a mulher parecia ter entrado num estado de transe.


Com as mãos sobre a porta do freezer e os olhos fechados, balançava levemente a cabeça, como se escutasse uma melodia dentro de si.


Colocando a mão direito sobre o ombro de sua funcionária, Senhor Nestor sentiu uma energia fluir por sua veia, deslocando-se por seu corpo e enchendo-o de um vigor desconhecido.


— Mas… O que é isso? Você também está sentindo?


Abrindo os olhos repentinamente, Dita Negri, mais uma vez, causou um sobressalto em seu patrão. Sem proferir palavra alguma, levou a mão direita até a tranca da porta do freezer e, num movimento voraz, abriu-a, deixando o vapor gelado sair.


Como se hipnotizados pela abertura do freezer, Senhor Nestor e Dita Negri estavam estáticos encarando a imensidão gélida disposta a sua frente.


Canalizando sua energia interior, fundindo-a ao desespero de mãe, Dita Negri, sem saber como ou porque, disse, ou melhor, gritou:


— Leve-me até meu filho! Agora!


Num lampejo de luz e de sons, funcionária e patrão foram tragados para dentro da abertura, sugados para os confins do desconhecido.


                                                     


Foram necessários vários minutos para o gangi se recompor e muitos outros para que o gnomo Ghibli e o menino Lucas tentassem explicar toda a controversa história sobre o retorno do Salvador.


Ainda meio desconcertado após ouvir toda aquela estapafúrdia, o grande Drigoro, agora deitado sobre a mesa de seu escritório (feito realizado com muita dificuldade pelo gnomo e o garoto que levantaram aquele grande corpanzil durante o desmaio), recobrava os sentidos calmamente, tentando organizar as informações e pôr os pensamentos em ordem, a fim de conseguir falar alguma coisa sobre tudo aquilo que acabara de ouvir.


     — Empreendedor Drigoro, por favor, fale alguma coisa! – exclamou o gnomo – Precisamos de você a nosso lado. Todo apoio é bem vindo, mas ninguém pode saber a real identidade do meu senhor Lucas! Contamos com seu auxílio.












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